terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Geração Y e Blogs Literários.

Cá estou eu de novo fazendo meus posts revoltados, pra não ficar falando na orelha do pessoal do Twitter.

Estava eu com uma internet ruim, lendo os tweets do pessoal, quando vejo alguns blogueiros falando sobre algum texto ofensivo. Opa, tem gente falando dos meus parceiros? Calma lá que com eles ninguém mexe!
Pedi o link e tive uma vontade muito grande de sair gritando minha revolta. Respiremos fundo.

Para quem ainda não viu o artigo de Caldeira Brant, clique aqui, pois essa é uma resposta a seus argumentos frouxos e mal intencionados.



"Pipocam e repipocam Blogs literários na Internet. Parece uma epidemia sacrossanta! Todavia a maioria é escrita – e mal escrita! – por jovens nascidos entre final dos anos 80 e início dos 90. Anos marcados por uma literatura frugal e inconsistente! Talvez, por isso mesmo, esses jovens resenhistas só escrevam sobre Chic Lit e ficções sem pé, nem cabeça – quase todas baseadas em desenhos animados de duvidoso gosto artístico como Caverna do Dragão (desenho violento e marcado por uma moralidade dúbia), Cavaleiros do Zodíaco ( uma compilação de mitos gregos realizada – não tenho a menor dúvida! – por um copista embriagado, que mistura personagens, fatos mitológicos, mitologias, enfim, uma salada grotesca) e outros de terrível memória."

Logo no primeiro parágrafo eu pude sentir uma voadora da parte dela vinda de dois lados: no momento em que ela cita minha querida geração Y, e outra no momento em que ela cita blogs literários.
Quero dizer, é só porque eu nasci numa época pós-ditadura, em que possuíamos um Brasil mal-estruturado e com uma literatura inconsistente eu não leio livros bons? Só por isso eu só leio Chic Lits e Ficções "sem pé nem cabeça"? (Devo lembrar que ficção = não-realidade, então se fomos levar em conta a realidade, a ficção nunca teve pé nem cabeça, principalmente as fantasiosas).
E o que, pelo amor de Deus, Caverna do Dragão e Cavaleiros do Zodíaco tem a ver com isso? Porque eu não assistia Cavaleiros do Zodíaco, se vale constar. E apesar de eu assistir Caverna do Dragão, que é um desenho sobre a luta do Bem e o Mal (coisa de muitos desenhos), é um desenho que meus pais assistiam. Além disso, se for pra falar de desenhos violentos, o que é Tom e Jerry? Caramba, o que, afinal, desenhos animados que nós assistíamos quando crianças tem a ver com o tipo de livros que lemos? Eu assistia tudo isso e mais, atualmente assisto seriados violentos e outros como True Blood (nem preciso dizer o que encontramos aqui), e apesar disso, sei ler outros gêneros.

"Aforismos a parte, alguns desses resenhistas têm o desplante de invocar nomes consagrados da ficção científica e da literatura fantástica para respaldar seu interesse medonho por ditos autores modernos que escrevem o lixo do lixo das mencionadas áreas literárias. Fico pensando, santo Onofre, onde a literatura, a boa e verdadeira literatura, irá parar se essa malta de escritores medíocres continuar a ser difundida pela internet por esses jovens incautos que acreditam que se educam ou se distraem lendo-os? "

Muito bem. Devo dizer que meu lado pseudo-escritora de contos se sentiu ofendido aqui, também. Além disso, tomei as dores de todos os escritores atuais brasileiros que eu conheço. Lixo do lixo? Quantos livros nacionais atuais nossa colunista ali já leu pra julgar de tal maneira?
O Brasil tem sim muitos problemas, entre eles está a analfabetização e o desinteresse por livros. Então não podemos simplesmente julgar totalmente ruim todos os novos autores. Quer dizer, eles estão crescendo agora, e pouquíssimos saem com sucesso logo no primeiro livro. Todos nós precisamos de críticas - com contéudo, por favor - para crescer, e é o mesmo para os "autores modernos". Como cobrar deles algo explendido sem antes deixá-los passar por um processo de amadurecimento?
Já li muitos livros de autores novos bons, que com certeza tem futuro, mas, ao mesmo tempo, já li outros que considerei ruim. Mas quem sou eu para dizer alguma coisa? Sou apenas uma leitora, e minha opinião aqui não é válida para nada. Talvez apenas para o autor, já que eu irei dizer se gostei ou não. Mas isso trata-se de GOSTO. E gosto e nariz, cada um com o seu.
E qual é a literatura boa e verdadeira para nossa colunista? A clássica? Mas espere. Estamos, a esse ponto, entrando numa questão de gosto. Há gêneros e gêneros, e dentro destes, há livros e livros. Nos clássicos, temos os bons e os ruins. Nos ficcionais, temos os bons e os ruins. Será que temos tal poder de criticar um gênero literário inteiro? Quem somos, afinal, para fazer isso? Meros leitores, oras, não formados em Literatura, com doutorado em Crítica para podermos sair apontando o dedo e chamando de lixo do lixo. Isso é apenas nossa opinião, e não podemos ofender a milhares apenas porque achamos que estamos certos por gastarmos de X, e os outros errados por gostarem de G.

"Às vezes, diante desse caos mundial, fico seriamente tentada a concordar com o modelo de status quo e a ideologia estabelecida pelo romance Fahrenheit 451, escrito por Ray Bradbury, que considerava toda obra literária como um perigo eminente para o bem-estar de uma sociedade!
Sim! Sou levada a esse extremo..."

Aqui quotarei o que a Nina disse na resposta dela, porque parece que foram letras tiradas da minha cabeça.
"Que bela iniciativa. Se os outros não leem o que EU acho relevante... Vamos queimar todos os livros! Eu li esse parágrafo umas quatro vezes, pois não conseguia acreditar que essa mulher é uma pessoa esclarecida, instruída e – que por ter 64 anos – foi jovem nos 60. Você está falando mal da minha geração? Pois os seus companheiros da geração devem sentir vergonha do tipo de mente TACANHA e autoritária que você cultiva. Posso parecer ofensiva, mas diante da infelicidade da colocação desta senhora, “sou levada a esse extremo...”" - Nina, em Vida de Leitor.

Afinal, que mensagens, que conhecimentos, que moral, que lição de vida essas asneiras “antalógicas” podem fazer a mente de jovens sem estrutura familiar como os de hoje? Sinceramente, a meu ver, seria preferível que não lessem mais a ler tais impropérios disseminados por esses ditos Blogs literários. Posso estar com 64 anos, mas ainda tenho cérebro para discernir o joio do trigo! E não me venham afirmar, utilizando-se do psicologismo barato, que estamos tratando de uma outra geração com outro interesse!

Nem todo livro precisa, necessariamente, trazer uma lição de moral ou de vida. Existem livros que são apenas para nossa distração. Que, aliás, são ótimos quando nossa vida já está cheia demais de moral e só precisamos de uma válvula de escape. E esses livros caem como uma luva! Terminamos a leitura de tais nos sentindo muito mais leves. Novamente, existem livros e livros. Existem milhares de gêneros, não podemos cobrar que todos sigam uma certa linha, uma regra. Isso seria acabar com a liberdade dos escritores.
E outra, jovens sem estrutura familiar? Me desculpe, mas sou dessa geração e me incluo nessa infeliz generalização, mas, por um acaso, minha estrutura familiar é uma maravilha, não que isso a interesse. Mas quem somos nós, novamente, para dizermos quem tem ou não uma estrutura familiar? Ainda mais em dias como hoje? O que é estrutura familiar para a nossa colunista? Um casal hetero, que moram juntos, possuem uma boa renda e tem, no máximo, três filhos? Não é uma visão meio preconceituosa? Porque, me desculpe se estou errada, mas é o que dá a entender. Estrutura familiar, hoje em dia, é um termo um tanto quanto complexo de se entender. Principalmente quando posto ao lado da palavra 'estável' em uma frase afirmativa. Temos milhares de tipos de família hoje em dia, em que a estrutura, é, sim, estável. Podendo ser estes: homossexuais com filhos, filhos de pais separados, filhos que moram com os avós, filhos de pais solteiros... Há infinitas possibilidades. Portanto, dizer que somos jovens sem estrutura familiar, é um tanto quanto preconceituoso, ressalvo.
E preferia que nem lessem mais? Ora, o brasileiro lê, em média, um livro por ano. Independente do gênero. Não seria um tanto quanto egoísta pensarmos que preferimos que o brasileiro deixe de ler esse mísero livro, do que ler um gênero que não gostamos? Que julgamos ruim?
Ora, eu não gosto de livros de auto-ajuda. Mas isso é minha opinião, e não por isso digo que o brasileiro deveria não ler tal gênero ou que todos esses livros fossem queimados. Pelo contrário. Se algum desses brasileiros que lê apenas um livro por ano gostar de auto-ajuda, que leiam todos os existentes, pois lê ajuda na formação do caráter, estimula e nos traz muito prazer. Além de todos os outros beneficios que podemos achar em pesquisas psicologicas, mas que não entrarei em detalhes aqui.
E, para constar, os ditos Blogs Literários querem é ajudar o Brasil a ler mais. Sou blogueira, represento aqui um blog literário e eis o que eu adoraria: que um jovem que só lê se obrigado, lesse uma resenha minha de qualquer gênero que fosse, se interessasse, fosse atrás e, após gostar do livro, se apaixonar pela leitura, se não mais, ao menos tanto quanto eu sou. Eu queria que todos lessem mais, pois um livro não é somente um livro, é um mundo totalmente novo, esperando para ser descoberto.
E mesmo os blogs que não pensam como eu, qual o problema de te-los aqui, online? Acima de tudo, bloggar é um prazer, não é uma obrigação, e só visita um blog quem quer; ou seja, se você viu um blog e não gostou da opinião pessoal do blogueiro (por mais terrível que seja falar opinião pessaol, mas só assim alguns entendem que é TOTALMENTE pessoal), é só não entrar mais no blog e fim. Tem gente que vai concordar com ele.


Tratamos sim com uma geração sem escola, sem família presente, sem ideologia, sem rumo na vida e na arte. Lidamos sim, com uma geração infantilizada e incapaz de, na maioria dos casos, com raríssimas exceções, tomar decisões corretas e ser feliz. E nada vai adiantar esse meu desabafo aqui, porque sei que a maioria não terá conhecimento suficiente para entender o meu protesto.

Se antes parecia que eu tinha levado uma voadora, aqui parece que eu levei um *BOOM* headshot. Porque, né, a autora nos chamou de sem-escola, nossos pais são péssimos pais, não temos ideologia e sem rumo na vida. E na arte. Ou seja, tudo aquilo que você lê, querido blogueiro, não é um tipo de arte. Além disso, somos imaturos e infelizes. Para terminar, somos burros e estúpidos porque não concordarmos com o tom ofensivo da autora do artigo.
Não sei realmente o que dizer desse parágrafo, em que ela ofende a todos e, se você discutir, é um ignorante. Toda uma geração chamada de burra e sem estrutura familiar. Me pergunto como o Brasil ainda vai pra frente e como somos capazes de entrar na faculdade, nesse ritmo.

Onde estão, na cabeça dessas crianças os clássicos? Onde estão os bons autores da atualidade brasileiros (que em artigo anterior já disse que são poucos) ou estrangeiros?
Algo precisa ser feito por nós, pelos ministérios da Cultura e da Educação antes que a “antalogia” se estabeleça e se dissemine como um pus virulento entre os nossos jovens imaturos.

E só para finalizar a paulada de asneira dita uma atrás da outra, a autora volta a ser preconceituosa com outros gêneros que não Clássicos, a chamar de ruins nossos escritores e parceiros atuais. Além, é claro, de deixar claro que o ministério da Cultura e da Educação precisa intervir na nossa liberdade de expressão. Ou seja, você quer acabar com os blogs literários e voltar à uma ditadura, Candida? Porque se é isso que você quer, sinto muito, mas você está subjulgando uma geração inteira, e não sabe do que somos capazes.

E isso me deixa louca da vida, porque quando vamos às ruas demonstrar que temos rumo sim, que não somos palhaços e temos noção das coisas, para protestar contra essa bagunça estúpida que é o nosso governo, para protestar contra o aumento ridículo das passagens de transporte público, sou obrigada a ouvir locutor de rádio dizer: "Onde estão as mães dessas crianças? Essas crianças não tem escola? Não trabalham? Parem de atrapalhar o trânsito de quem tem o que fazer. Eles não tem mais o que fazer? São vagabundos!"
Com certeza.
O mais engraçado é que, nesse caso que eu ouvi, a maioria eram estudantes da Unicamp. Claro, porque pra passar numa faculdade como a unicamp e se manter lá, tem que ser muito vagabundo mesmo, né? E protestar contra preço de transporte público? Por favor, né, gente, andem de carro, poluam mais o ambiente e deixem os vereadores aprovarem os 120% de aumento no salário deles! Coitadinhos, ganham tão pouco e fazem tanto pela nossa cidade, né?

6 comentários:

  1. Não quero mais dar palanque para essa cidadã, então vou rasgar minha ira nos blogues literários que ela tanto critica, e dar voz a quem realmente merece.

    Como eu disse no twitter, ela me ofendeu como leitora, como escritora contemporânea e como pessoa. Fui ofendida como leitora porque vislumbro um livro como entretenimento, e não como uma célula criadora de consciência moral. Fui ofendida como escritora porque sou Brasileira (e parece que a senhora não é) e escrevo chick lit, ficção e qualquer outra coisa que ela classificou, deliberadamente, como lixo. E fui ofendida como pessoa por ter sido inserida dentro de um grupo que não teve amor paterno, não teve estrutura familiar, não sabe discernir o que é bom do que é ruim e tem um péssimo gosto literário porque assistiu Caverna do Dragão quando era criança.

    Parafraseando alguém que li no tumblr e não tive o cuidado de guardar a fonte, "se me apontares novamente um dedo, eu te apontarei para o espelho".

    Vou mesmo é voltar para minha escrita medíocre, porque tenho um monte de lixo para produzir, e uma massa de leitores deseducados e sem família ansioso para devorar as "antalogias" que empurro por suas goelas.

    Tatiana
    www.tatianamareto.com

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  2. Fico imaginando se a autora quer viver no passado...
    Pois se assim for, até entendo as lamúrias da mesma, porém se ela quer analisar reflexivamente o quadro do Brasil, a mesma deve antes, analisar um pouco de políticas públicas e depois escrever alguma coisa...

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  3. lamentável. indignado com a ignorância desta criatura. Melhor parar por aqui antes que comece a ofender essa "coisa".

    a unica coisa que eu queria dizer pra ela é
    você com certeza esqueceu de tomar seus antidepressivos antes de escrever essas asneiras.


    Parabéns pelo artigo Leeh
    também estou revoltado com essa senhora
    que vive no passado e esqueceu de evoluir com o tempo.

    E os clássicos dela nem tem tanto poder assim, afinal não conseguiram abrir nem a mente dela mesma.

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  4. Olha já comentei lá no "Caçadora de livros" e pensei que isso ia me acalmar, mas não.
    E eu realmente xinguei bem alto aqui em casa quando li o texto (minha mãe e minha irmã não entenderam nada).
    Enfim essa senhora vive em outro mundo.

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  5. Eu não tinha lido ainda o texto ofensivo de Caldeira Brant. Estou indignada. Como ela ousa atacar assim pessoas que leem por entretenimento? Decerto é preferível que os jovens busquem prazeres ilícitos e indecorosos. Muitos leitores da literatura que ela chama de lixo leem e apreciam clássicos, ou então os lerão um dia, graças ao seu saudável hábito de ler. Ninguém precisa ser tão preconceituoso para ler bons livros. Alguns preferem ter a liberdade de serem ecléticos. Com certeza, podemos ganhar mais com esse “lixo” do que ela imagina.

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  6. Boa tarde!

    Nem dê ouvidos ou olhos para tal feito.
    Parece-me que tal comportamento vem de uma frustração pungente, ou... Da falta de autoestima necessária para se chamar atenção de uma outra forma.
    Não ligue! Isso é bobagem!

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