domingo, 4 de março de 2012

CC - A Passagem

Esse foi um conto que escrevi para um Concurso Cultural para concorrer ao livro A passagem no blog Drunk Culture e ganhei em primeiro lugar! Muito obrigada, pessoal do Drunk, fiquei muuuuuuuuito feliz e surtei demais! hahaha *-*



27 de Janeiro de 2013
Fui até a cozinha pegar comida, mas está acabando. Era meio-dia, mas estava nublado. Corri como nunca antes... Continuo no porão, onde é seguro, completamente trancado, com uma lamparina e barricadas. Não durmo mais no escuro... O escuro.
Lembro-me de quando tive que correr de minha pequena irmã. Minha pequena irmã infectada se transformara num verdadeiro monstro de feições irreconhecíveis. De onde vinha aquela força, eu não sabia. Consegui uma frequência de rádio onde pessoas se comunicam, e soube que alguns cientistas estudam o maldito vírus para tentar reverte-lo. Mas quando? Quando eles conseguirão?
Eu não suporto mais ficar nesse pequeno porão. Estou ficando claustrofóbico. Abri uma fresta na parede, onde consigo ficar de olho lá fora. Não sei se isso me acalma ou me deixa em pânico. A noite é terrível. Nunca odiei tanto a Lua. A Lua que tanto amei, agora me é odiosa! Nunca amei tanto a luz do Sol. Ficar no escuro, nesse porão, apenas com a luz da lamparina me é terrível. Não durmo há cinco dias.
O medo me consome e só fui à cozinha hoje, porque estava quase desmaiando de fome. Tenho medo até de sair em plena luz do dia. E se algum deles criarem resistência à luz?
Minha ansiedade está como nunca, não tenho mais unhas e meus dedos às vezes sangram, quando começo a coçar tudo ao meu redor de ansiedade. Quanto tempo mais aguentarei?
Eu não sei... Eu não sei.Se a comida da cozinha acabar, não sei se serei capaz de sair desse porão.Morrerei eu de fome antes de ser infectado? Essa máscara de ar me dá nos nervos, às vezes jogo-a na parede, mas quando percebo o que fiz, reponho-a rapidamente.
Todos os pânicos possíveis de um ser humano estão chegando ao ponto máximo em mim. Não choro mais; nem por mim, nem pelos meus familiares mortos e/ou infectados. Se choro, é porque a noite chegou.Quanto... Quanto mais?
Fome, frio, sono, dores, ansiedade, pavor, medo, pânico no geral.Tudo que posso pensar, agora, é o que me matará primeiro. O medo? A fome? O frio da noite? As dores? Uma úlcera por causa de minha gastrite? Serei drenado até ficar sem sangue? Ou morrerei eu da pior maneira possível, um infectado?A faca da cozinha nunca me pareceu tão atraente... Quanto mais?



A ideia era fazer uma página de um diário de um sobrevivente da Passagem. Então eu li a sinopse e me baseei nela. Espero que vocês também tenham gostado!

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