quarta-feira, 10 de abril de 2013

RainyMood

Com os fones já posicionados, fechei os olhos e cacei o botão de mais do mp3, deixando o volume no último, me isolando ainda mais do mundo, de qualquer ruído que ele pudesse produzir. Apertei o PLAY e comecei a ouvir algo que não poderia ser considerado música, mas era apenas um RainyMood que havia baixado da Internet, mas gostava de colocar quando tinha dificuldades para dormir ou queria me isolar um pouquinho.
O som se apoderou de mim e, de repente, estava em outro lugar.

Estava tudo escuro, um breu. Eu sentia que meus olhos já haviam se acostumado à escuridão, mas não havia de fato alguma coisa para meus olhos se acostumarem com a forma; era apenas uma negritude completa.
Então, uma luz branca e intensa tomou conta do lugar e como reação do que viria a seguir, meu corpo se encolheu. Um estrondo percorreu minha espinha, me fazendo tremer junto ao chão do lugar já escuro novamente.
O interessante foi que quando o local se iluminou, meu olhar não conseguiu captar nenhuma forma, nem um nada. Apenas branco.
E, então, um cheiro quebrou minha linha de pensamento, vindo junto com miúdas gotas de água que caíam com intensidade, formando uma chuva torrencial. O local começou a tomar contornos e formas; uma cidade. Trovejou ao longe, me fazendo arrepiar.
Poças de água começaram a se formar em volta de mim, na calçada e no asfalto. Mas, ainda, era possível ouvir - de alguma maneira - as gotas caindo nas folhas da árvore, brigando contra a gravidade, mas perdendo quando se juntavam e ganhavam peso, sendo lançadas para longe pelas gordas folhas.
Reconheci o barulho do motor de um carro de aproximando e das rodas jogando água por toda a calçada. Atrás dele, uma moto. Agora, um caminhão.
Mas, ainda assim, parecia haver algo mais além. Por trás de todo aquele barulho de água batendo em água e carros e folhas gordas. Me concentrei no fino e leve som ao fundo, o máximo que pude, tentando reconhecer.
E ouvi.
Alguns acordes de harpa, que timidamente voltaram a se esconder por trás da chuva. Voltei a me concentrar; dessa vez, alguns acordes de violino, que também correram para debaixo da mesa, tímidos.
Com mais força, me concentrei, tentando separar os sons da chuva da melodia. Reconheci alguns tons mais extrovertidos de piano, e meu coração esquentou. Continuei a me concentrar, com medo de que ele também corresse para trás da saia da mãe, mas ao invés disso, a harpa, o violino e toda a orquestra voltaram, todos juntos, em uma melodia harmoniosa e calorosa, que me enchia de vida. Que enchia aquela cidade de vida.
De repente, a chuva parou. Junto com ela, a música rapidamente se cortou, como uma bela moça tímida e tudo ficou escuro de novo.