domingo, 21 de julho de 2013

Panic

Desenterrando algumas histórias a partir de agora... Aquelas que guardamos no fundo do baú!



Meu coração acelerou e eu diria que era capaz até de ouvi-lo. Ele pulsava em meus ouvidos e minhas mãos começaram a tremer. Senti meu estômago dar várias voltas e o ar sair dos meus pulmões.
Não conseguia respirar.
Meus olhos se encheram de lágrima e o desespero começou a tomar conta de mim. A ansiedade. Meu estômago parecia estar dentro de um liquidificador.
Coloquei minhas mãos trêmulas na cabeça e comecei a chorar. Os pensamentos não saíam de minha mente. Eu tentava afastá-los, mas eram mais fortes que eu. Muito mais.
Puxei meus cabelos no desespero. Que a dor predominasse! Seria melhor. Qualquer coisa seria melhor que aqueles pensamentos que atiçavam o pior de mim, o meu medo.
Tensionei a mandíbula para não gritar e minha cabeça logo começou a doer com a força que eu fazia, mas não parei. Encolhi-me, como se tal ato fosse capaz de parar tudo o que eu sentia.
Eu queria gritar.
Eu queria arrancar os cabelos.
Eu queria quebrar algo.
Eu queria chorar até o mundo acabar.
Eu queria sumir.
Eu queria que aquilo acabasse.
Eu não tinha mais forças para lutar contra meu medo.
Comecei a arranhar minha calça em desespero, de ansiedade.
Para, para, para... Por favor.
Eu não aguentava mais... Sentia-me sozinha no mundo. As lágrimas caíam sem que eu pudesse ter qualquer tipo de controle, era como uma torneira quebrada.
Mal respirava, sentia minha garganta fechada. Engasgava com o choro, tentando respirar.
Os pensamentos continuavam ali... "E se... E se...".
Por que eles ainda estavam ali? Eu não queria mais pensar naquilo! Eu estava cansada, queria apenas esquecer... Viver o momento. Esquecer os pensamentos!
Chutava o ar, imaginando-me chutando aquele maldito pensamento, mas logo vendo-me tão vulnerável, voltava a me encolher, variando com as mãos na cabeça, puxando os cabelos ou arranhando a calça.
Desespero.
Medo.
Pavor.
Pânico.
Ouvi a porta abrir e quis gritar para que fossem embora. Já bastava eu me encontrar naquela situação, ninguém mais precisava presenciar.
Ouvi passos rápidos em minha direção, mas mantive os olhos fechados, chorando copiosamente. Senti duas mãos me envolverem e ele começou a falar. Sua doce voz foi como uma anestesia. Morfina...
Abracei-o com força, fincando minhas poucas unhas em sua camiseta e pedi desculpas por ser tão fraca. Ele apenas me abraçou e beijou minha testa.
Aos poucos, fui me acalmando e adormeci em seus braços. Ele era meu remédio para toda noite de ataque de pânicos... Meu porto-seguro.

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