quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Passageiros da vida

Uma vez, me disseram que o melhor a se fazer na vida, é deixar a porta aberta. Muitos vão entrar... Alguns vão passar reto, outros entrarão, darão uma olhada ao redor, outros sujarão e cuspirão no chão; mas sempre haverá aqueles que irão pegar um livro da estante e irão se acomodar no sofá e apreciar uma bela história.

Podemos encontrar aqui pessoas que vão nos fazer crescer de N maneiras. Aprenderemos muito com todas elas, mesmo com aquelas que só derem uma olhadinha lá dentro.
Mas é preciso tomar cuidado.
Muitos olham apenas pelo buraco da fechadura e acham que viram tudo. Os que generalizam. Os que lhe usam de bode expiatório para problemas pessoais ou com terceiros.
Esses são os piores.
Eles vão passar e enquanto poderiam lhe ajudar a crescer, lhe dar a mão para você se levantar, ou ao menos indicar o caminho, eles preferem te deixar lá. Se possível, colocar o salto e pisar em cima. Vão te julgar e te humilhar, mesmo sem te conhecer. E quando as palavras lhe vierem à boca, prestes a se concretizar, irão te amordaçar; e te julgarão novamente pela sua fraqueza, pela sua insegurança e pelos seus medos. Te julgarão pelo seu portar.
Por isso, olhe a fera no olho. Procure lá alguma bondade. Se tudo o que encontrar for inferno, encare-a mesmo assim. Mostre que você não tem medo, que não tem o que esconder. Quem escolheu não entrar e compreender a complexidade da história foi ela, não você. A infelicidade vem dela, não de você. Não demonstre insegurança, não demonstre medo ou tristeza, a fera não merece nem isso de você.
Contudo, não ataque na mesma moeda, não vale a pena. Algumas pessoas simplesmente passam para destruir, não construir. E no mundo nada se cria, tudo se transforma. Portanto, pegue toda essa destruição e transforme-a em algo bom. Bom pra você e para outros, pois sabemos que a fera de nada adianta tentar mudar.
Se a fera lhe atacar, pisotear, humilhar, olhe-a por cima. Você é mais do que isso. E ela é apenas mais uma das outras feras que estão por vir na vida. Apenas mais um dos que põe obstáculos em nossa frente, nos impedindo de ver o horizonte, a luz no fim do túnel. Por isso, se ela lhe derrubar, levante-se.
Levante-se e passe por cima, pois a próxima fera está a lhe esperar. E cada uma lhe trará um ensinamento, uma força nova, maior. Assim, nós crescemos, mesmo quando tentam nos derrubar. Cair, todos caem. Ficar lá é uma opção.
Não deixe que as palavras ácidas e garras afiadas da fera lhe machuquem. É isso o que ela quer. E não é a única. Mas não vale a pena.
Não vale a pena porque sempre haverá aqueles conhecedores da história, aqueles que querem sentar e ler um livro. Deitar no sofá, ligar a lareira e se sentir em casa, após uma longa viagem.
Na vida, há passageiros e passageiros. Feras e feras. Somos todos passageiros.
Por isso, se uma fera lhe atacar no meio do caminho, passe por cima. Procure uma boa história para ler e uma lareira para acender. Há muitas a conhecer, e muitas que valem a leitura.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Aos amigos,

Durante a nossa vida:

Conhecemos pessoas que vem e que ficam,
Outras que, vem e passam.
Existem aquelas que,
Vem, ficam e depois de algum tempo se vão.
Mas existem aquelas que vem e se vão com uma enorme vontade de ficar...
- Charles Chaplin

A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste
- Carlos Drummond de Andrade


Malditos, entendam:
não quero nada mais do que
meras palavras jogadas ao ar,
reclamações da vida e
besteiras (não) ditas.
- Eu