sábado, 14 de dezembro de 2013

Thunder


O céu em tons de vermelho se iluminou, apontando a posição das pesadas nuvens. Um arrepio percorreu minha espinha ao ver um belo raio cortando o ar rapidamente, procurando seu caminho até o chão.
Eu possuía uma relação de amor e ódio com os belos raios. Ao mesmo tempo que quando eu era criança queria ficar com a cara enfiada na grande janela da sala de vovó, observando-os caindo em diversos pontos da cidade, eu também queria me enfiar debaixo das cobertas e cobrir o rosto. O barulho dos trovões me apavorava. Mas eu amava a adrenalina que era disparada por todo o meu corpo ao ver bela imponência dos raios. Amava principalmente aqueles que viajavam de nuvem à nuvem.
Lembro-me de vovó rir da minha situação: o rosto no vidro, os pelos arrepiados e o corpo saltando para trás toda vez que um raio caía muito próximo ou quando os trovões faziam tremer toda a casa.
Vovó... Sentia falta dela como nunca.
Pensar em vovó fazia meu peito esquentar, se encher de amor e dor da saudade. Fazia tanto tempo... Mas a falta que ela fazia parecia apenas aumentar. Às vezes me pegava pensando em como ela reagiria sabendo algumas coisas de minha vida, que conselhos daria, os petelecos na cabeça por fazer besteira.
Era o tipo de dor, o tipo de saudade que eu sabia que nunca seria suprida. Agora, sentada na grama, olhando para o céu, em seu local favorito da casa, parecia que eu estava mais perto dela. Sentia falta das conversas, dos abraços... Lágrimas teimosas caíram, junto com a chuva que chegava. Lágrimas e chuva se misturavam em meu rosto.
Imaginei vovó brigando comigo por estar tomando chuva no gramado. "Um raio pode cair em você!", sua voz parecia ecoar pelo ar.
Mas eu gostava da adrenalina. Fechei os olhos e senti sua presença.
Sorri.

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