quarta-feira, 10 de setembro de 2014

E vocês já fazem tanta falta... "Qualquer um pode se formar médico veterinário, mas poucos realmente serão veterinários" - tive uma interpretação dessa frase ontem, hoje já tive outra.
Sei que o que aconteceu foi o melhor pra vocês, que agora têm energia e força pra fazer tudo que gostam... mas sou egoísta e gostaria muito que continuassem aqui. A dor da perda é muito grande, e lembrar do olhar inocente e de dó de vocês não ajuda... fiquem em paz, Lu e negão ♥

sábado, 19 de julho de 2014

Escrever

Sabe quando você acorda com aquela vontade de escrever? Sim! Escrever!

Quero dizer, dom, cada um tem um. Você, talvez, possa acordar com vontade de desenhar. De tocar piano. De criar novas maneiras de expressar tudo aquilo preso dentro de você.

Bom, eu não tenho um dom, como possa ter dado a entender aqui. Não, não considero que tenho o dom da escrita, por favor, vamos deixar isso com Leminski, Camões e Drummond - porque esses sim são os caras da escrita, entende?

O que falo aqui é mais básico, simplório, ou até banal.

É a vontade de escrever. Mais do que isso, necessidade.

Acordei de cabeça cheia, mas não pensamentos. Palavras. Desordenadas, apenas palavras soltas que batiam em todos os lados, querendo sair. Algumas se punham em caixa alta para chamar minha atenção. Outras simplesmente tremeluziam quando eu apertava o olhar, tentando decifrá-las.

Não, não sou eu que elas querem que as decifrem. Mas quem? O papel? O teclado? Ou simplesmente qualquer alma a quem elas puderem alcançar. Mas não eu, não tenho o dom. Nem ao menos tenho uma letra espaçosa e cheia de curvas para que possa deixá-las com uma beleza única.

Não é a mim que elas querem.

É você.

E eu também. Digo, eu também quero você. Ou quero que você as queira tanto quanto lhe queremos.

Essas palavras desordenadas, me deixam desorientadas. Toda vez que tento passar uma linha entre elas, deixá-las em fila, formando, quem sabe, algo concreto, pensamentos, elas se debatem e fogem.

No fim das contas, acho que elas querem o mesmo que eu: alguém com o dom de transformá-las. De expressá-las. Acho que são sentimentos transformados, que precisam ser decifrados. Mas precisamos que você entenda, que, mesmo desordenados e rebeldes, o que queremos é você.

Expressar o que se sente é para poucos, os bons. Não somos estes.

Por isso, essa sopa de letrinhas que mais parece um tornado se contenta com o que tem. Comigo. Com um teclado, porque não ficam feliz com suas formas no papel, quando vindas de mim. Mas, pelo menos assim, elas tem uma chance de chegar em você.

Espero que cheguem. E espero que consiga decifrar tudo o que não consegui, pois sei que você tem um dom de verdade, que nunca poderemos ter.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Mais feliz do mundo

Esta noite me perguntaste se sou a mulher mais feliz do mundo, por ter-te a meu lado.
Quando disse que sim e tu não acreditastes, acho que é porque de certa forma, menti.
A mulher mais feliz do mundo precisa, acima de tudo, se amar e ser amada. Precisa amar o que faz, seu emprego deve trazer-lhe muito rigozijo, e seus amigos devem ser os melhores, e a maldade do mundo não pode atingi-la, além de que ela deve ter certeza de todos os seus atos e ficar contente com eles.
Eu não sou esta mulher.
Certamente não estou a parte da maldade do mundo e das pessoas, e certamente me decepciono constantemente com meus semelhantes que custo a chamar de amigos.
Definitivamente não tenho certeza de todos os meus atos e erro, sim. Me arrependo, sim.
Não sou a mulher mais feliz do mundo, porque minha insegurança me ataca quando erro.
Mas tenhas certeza de uma coisa. Sou uma das mulheres mais felizes do mundo, porque te amo infinitamente e porque te tenho ao meu lado, e mal tenho palavras para dizer-te o quanto me fazes bem.
Sou uma das mulheres mais felizes do mundo, simplesmente por poder te abraçar todas as noites e sentir o calor do teu corpo contra o meu.

domingo, 27 de abril de 2014

Tempestade (Parte II)

Atravesso contigo sua própria tempestade, procuro ser teu guia, mas possuo meu próprio furacão. Perdemo-nos, assim, diversas vezes de todo o caminho.
Contudo, com tua tempestade de olhos castanhos eu sei lidar mais do que já soube de qualquer outra coisa.
Entretanto, a tempestade que chega de fora, dos outros, é o que verdadeiramente me assusta.
Num instante, tudo é neblina. Misturam-se meu furacão e tua tempestade, junto com a energia ruim de outros que nos atingem.
Sei que minhas confusões são difíceis de interpretar, mas tu tens que enxerger com o coração, e verás como me sinto e porque ajo assim.
Meu coração bate intensamente por ti, e mal posso segurá-lo no peito; o tempo todo estás em minha mente, e prefiro a sinceridade do que a ocultação, por mais que tu não entendas.
A verdadeira felicidade é estar contigo no meio de toda nossa confusão, conversas noturnas que trazem luz à nossas tempestades.
A verdadeira felicidade é o teu sorriso dirigido somente a mim, e mais ninguém.
Pois saibas que sou eternamente tua, e és eternamente meu.

Palavras

Palavras cortantes
Não necessariamente mutantes
Quiçá grandes
Porém machucam
Profundamente em instantes
Atingem o coração
Ainda que não
Despedaçado
Mas ferido.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Poem

As razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

- Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Definições

Encher linguiça: 1. Ato de explicar a resposta de maneira circular e repetitiva, cheio de redundância e pleonasmo como 'subir para cima', a fim de levar o leitor e questionador a procurar a resposta em si mesmo, após não entender e se confundir com textos sempre maiores que três linhas e quase sem pontos finais, cheios de ideias mal conectadas por vírgulas, que por fim parece fazer sentido porque, na verdade, o leitor encontrou a resposta em si mesmo, mas pensa tê-la encontrado no texto que, se bem escrito, recebe nota 7. 2. Linguiça recheada.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Sanatório

Qual foi o momento antes de descer à Terra que eu assinei o documento que dizia que tio Nick e a Moyes seriam os autores que saberiam transcrever minha vida, tipo em supernatural?
A pior parte é que tem tanta coisa em minha cabeça, arranhando as paredes, batendo de um lado para o outro e gritando para sair. E isso me deixa louca. Mas dentro do sanatório, eles são fáceis de controlar. Deixá-los sair é expôs-los ao mundo, admitir sua existência e consistência. É torná-los mais reais.
E quem gosta de encará-los de frente assim? Quem conseguirá controlá-los se estiverem soltos e expostos assim?

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Simples


A felicidade é simples.
Claro que um bilhete da mega sempre seria ótimo.
Mas a verdadeira felicidade é sublime.
A verdadeira felicidade é oriunda de gestos simples e pequenas coisas. Não necessariamente um "eu te amo", mas um "você faz falta". Não um "você é tudo", mas "você me faz sorrir". Porque se você faz falta, é porque é importante, e o que melhor do que um sorriso no rosto de alguém que amamos?
A felicidade é isso... Um sorriso inesperado, uma risada gostosa, um sorriso por estar tão feliz de estar conversando com alguém que não consegue segurar todos os sentimentos dentro do peito, ou simplesmente um sorrir entre lágrimas.
A felicidade é amor, carinho, saudade. Sim, saudade, porque sentir falta de alguém significa que você se importa, que você ama, e é maravilhoso simplesmente ter alguém de quem sentir falta.
A verdadeira felicidade vem quando menos se espera, e é assim. Coloca um sorriso em seu rosto e traz uma sensação paz. E mais: ela nos marca para sempre.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Exposição.


Furacão de pensamentos e confusão;
você, seu cheiro, seu toque.
Alvorada voraz invade meu corpo,
deitado junto ao seu.
Toques, pernas, mãos e braços.
Cheiros e bocas se misturam.
Rostos em êxstase.
Palavras não ditas,
sentimentos expostos.
Uma exposição
de linguagem própria,
sem precisar maiores interpretações,
maiores traduções.
Apenas eu e você.
Expostos, lado a lado.
Um só.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Olhos castanhos (Tempestade)


Havia tensão em teus olhos, olhos castanhos pelos quais me apaixonei.
Perdia-me em tua imensidão, tão profunda e cheia de segredos que me pegava imaginando se um dia seria capaz de decifrá-los.
Quando pude fazê-lo, no entanto, passei a conhecer-te tanto quanto a mim.
Alguns diriam que mais do que a mim, e talvez eu venha a concordar.
Meu furacão particular me confundia, e a tempestade em teus olhos pareciam mais convidativas.
Por diversas vezes, peguei-me metendo os pés pelas mãos, simplesmente por conta da torrente de pensamentos que me invadiam quando estava junto a ti, enquanto eu tentava me organizar a não fazer besteira, nunca me felicitando no processo.
Acabava tendo atos bobos que poderiam algumas vezes serem mal interpretados, ou mesmo agindo de maneira deveras inexplicável.
Todavia, entenda, o mero pensamento de magoar-te me espanta tanto quanto a morte.
Perdoe-me por todas as vezes que meus atos deixaram-te atordoado ou magoado, por vezes, quando queremos fazer o melhor, acabamos nos perdendo no caminho.
Apenas deixe-me entrar nesta tempestade a teu lado, pois daqui não quero sair, e sempre que precisar, basta esticar tua mão e logo estarei aqui, passando por cima de todo esse furacão que pode nos confundir.
Medo de amar pode ser medo de se perder, mas estando contigo, não ligo se me perder nessa insana tempestade de olhos castanhos.