segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia do Amor?

Sejamos sinceros, quando pensamos em Dia dos Namorados, ou 12 de Junho, automaticamente pensamos em corações, balões em formato de corações, beijos, abraços, presentes, felicidade, casais.

Sendo assim, a Boticário lançou um vídeo maravilhoso de Dia dos Namorados.



Um vídeo curto, direto e simples. Sem beijos, apenas muitos sorrisos, abraços e alegria.

O que me incomoda verdadeiramente é ver que as pessoas estão compartilhando o vídeo instigando as outras a irem lá apenas para dar "unlike".

Isso me lembra que há pouco tempo eu estava lendo uns blogs onde estrangeiros falavam sobre como os brasileiros possuem um preconceito enrustido e se diz um povo simpático, solícito e aberto. Só que não. Muita gente sentiu doer quando eles falaram isso, mas não é a mais pura verdade? O preconceito está enraizado em nossa cultura. E quando eu digo preconceito, eu englobo todos eles: racial, xenofobia, homofobia e até mesmo o machismo, que vem de um preconceito onde as mulheres só devem fazer aquilo e fim, e se ela está na rua até tarde a louca é ela.
E foi incrível o número de comentários falando sobre como eles estavam apontando o dedo para nós, sendo que eles também não são perfeitos. E, ei, eles não são mesmo! Mas está na hora de pararmos de falar que não temos preconceitos, porque temos sim, e muito!
E é um tanto quanto ridículo um país tão miscigenado ter tanto preconceito racial. Sinceramente.

Porém, voltando ao vídeo. Dito isso, cá está a prova: centenas e centenas de pessoas compartilhando o vídeo pra dar "unlike". São ~73 mil likes, contra ~128 mil deslikes. E o que esse vídeo mostra demais, alguém pode me dizer? Porque estou procurando.

Ah, mas o brasileiro é tão tolerante! Tão tolerante que quando viu um beijo gay na novela, quis boicotar. Tão tolerante que quando viu um vídeo de dia dos namorados onde duas pessoas do mesmo sexo se abraçam, correu pra boicotar. Mas tudo o que ele quer é preservar a tradicional família. Em pleno século XXI e ainda temos essa concepção de "tradicional" família e nos recusamos a aceitar as outras. Acontece, meu povo, que nem toda família é pai-mãe-filho, e nem toda família boa é pai-mãe-filho.

É preciso que as pessoas aceitem umas às outras. Você pode não gostar, mas aprenda a aceitar. Respeite. Falam tanto de "liberdade de expressão", mas a sua liberdade termina onde começa a do outro. A ética existe por isso. Mas gostamos de massacrar a ética falando de uma falsa-moral e, obviamente, religião (nem preciso dizer que somos um Estado Laico, preciso?). E já que gostam tanto de falar de religião, cadê o amor ao próximo? O respeito?

Como pode um dia que nos lembra amor, carinho e felicidade resultar em tanto ódio?